Em Campinas e na RMC, pacientes recorrem ao Judiciário diante da dificuldade de acesso pelo SUS
Os produtos à base de cannabis medicinal estão entre os mais judicializados do Brasil, e esse cenário também se reflete na Região Metropolitana de Campinas (RMC), onde pacientes têm recorrido à Justiça para garantir acesso ao tratamento.
Apesar de leis estaduais, como a política pública sancionada em São Paulo para distribuição de medicamentos à base de cannabis pelo SUS, o fornecimento ainda é considerado restrito e irregular na prática, inclusive em cidades como Campinas.
Dados do Tribunal de Justiça de São Paulo indicam que o estado lidera o volume de ações judiciais na área da saúde no país, com milhares de processos ativos relacionados ao fornecimento de medicamentos — entre eles, os derivados de cannabis.
Na região, defensores públicos e advogados relatam aumento na procura por esse tipo de ação, principalmente por pacientes com epilepsia, autismo, dor crônica e doenças neurológicas. Em muitos casos, o tratamento só começa após decisão judicial.
Outro fator que pesa é o custo. Produtos importados podem ultrapassar R$ 1 mil por mês, o que inviabiliza o acesso direto para grande parte da população. Sem oferta regular na rede pública, a judicialização acaba sendo o único caminho.
Especialistas apontam que o modelo atual gera desigualdade, já que quem tem mais informação ou acesso jurídico consegue o tratamento mais rápido, enquanto outros pacientes permanecem na fila do SUS.
Na prática, o avanço da cannabis medicinal no Brasil — e também em Campinas e região — evidencia um paradoxo: o reconhecimento terapêutico cresce, mas o acesso ainda depende, em muitos casos, de uma decisão judicial.
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